terça-feira, 18 de março de 2014

REDE MUNICIPAL - ANANINDEUA - PARÁ

Contribuição do MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em
Educação para o debate sobre 1/3 de hora-atividade:

Uma das pautas de nossa campanha salarial no ano de 2014 é a alteração da jornada estabelecida na Lei Municipal 2.355/09 - que estabelece nosso Plano de Carreiras, Cargos e Remunerações (PCCR)
– com o objetivo de adequá-la ao que é estabelecido pela lei federal 1.738/08, mais conhecida como “Lei do Piso”. O 2º artigo da referida lei, em seu 4º paragrafo estabelece que os profissionais do magistério público deverão, no máximo, dispor de 2/3 (dois terços) da jornada para atividades diretas com os educandos, daí concluir-se que o restante, ou seja, 1/3 (um terço) ser destinado exclusivamente a hora-atividade Vejamos abaixo como está hoje e como deverá ficar se a proporção acima for implementada:

Como está hoje:

120 h = 100 (S.A) + 20 (H.AP)

Nossa jornada possui apenas 1/6 (um sexto) de hora-atividade. Para atender o que diz a lei, deverá ficar assim
:
120 h= 80 (S.A) + {20 (H.AP) + 20 (H.AF) = 40}

A matemática é simples: se temos uma jornada de 120 horas, para obtermos a terça parte basta dividir por 3
:
120/3 = 40

Para a Prefeitura se adequar a “Lei do Piso” precisamos ter mais 20 horas-atividades na jornada, pois já recebemos 20 horas para planejamento, correção de provas, estudo, etc. Vejamos para a
jornada de 240 horas:

240 h = 160 (S.A) + {40 (H.AP) + 40 (H.AF) = 80}

E os Pedagogos (Técnicos), como ficam? De acordo com a lei eles também têm direito a horaatividade. Como eles possuem uma jornada diferente, ou seja, de 180 horas por mês, a proporção ficaria assim:

180 h = 120 (A.D) + 60 (H.AF)

Por fim, acreditamos que a Secretaria de Educação deverá encontrar mecanismos que possibilitem a efetivação da hora-atividade (1/3) para todos os Profissionais do Grupo Operacional Magistério (Professores e Técnicos), respeitando as especificidades de todos os niveis e modalidades de ensino Convocamos todos os Trabalhadores em Educação a lutar pela implementação da hora-atividade!

MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação

E-MAIL: moclatenacional@gmail.com

BLOG: www.blogdomoclate.blogspot.com

legenda: S.A = Sala de Aula / H.AP = Hora atividade que possuimos atualmente / H.AF = Hora atividade que falta / A.D
= Apoio à docência

domingo, 16 de março de 2014

Belo Horizonte: Estudantes protestam por democracia na escola e enfrentam repressão policial

Alunos da Escola Estadual Professor José Mesquita de Carvalho, no bairro Coração de Jesus, na região centro-sul de Belo Horizonte, realizaram uma manifestação no dia 14/03 contra as regras internas do colégio que impõe, sem discussão, normas consideradas autoritárias pelos estudantes.

A polícia militar foi chamada pela direção da escola e os alunos se rebelaram. Os policiais lançaram sprays de pimenta contra os jovens que, em resposta, quebram o vidro de uma viatura da PM durante o protesto.

O MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação saúda a iniciativa dos jovens estudantes, que exerceram o direito de manifestar-se e rebelar-se contra o autoritarismo da direção da escola. É nessa luta que acreditamos e propomos colocar nossa energia. A comunidade escolar unida deve lutar por democracia e qualidade nas nossas escolas públicas.





Rebelar-se é Justo!

terça-feira, 11 de março de 2014

MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação
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Boletim informativo n° 01/2014 – Rede Municipal – Ananindeua (e-mail: moclatebrasil@gmail.com / blog: www.blogdomoclate.blogspot.com)

O ano de 2014 começou e grandes perspectivas se abrem para os trabalhadores e o povo brasileiro. As jornadas de junho e julho do ano passado demonstraram que as massas têm disposição de sobra para lutar. E, em nossa categoria não é diferente. Ano passado realizamos uma importante jornada de lutas na rede municipal de Ananindeua. Tivemos importantes vitórias (Enquadramento no PCCR, fim da Suplementação, reajuste do salário e do vale-alimentação), porém nada disso teria sido possível se não tivessemos lutado e ameaçado o gerente de plantão (Pioneiro/PSDB) com a possibilidade de uma vigorosa greve.
Esse ano não será diferente! E olha que o ano começou com um belo exemplo: Os GARIS do Rio de Janeiro travaram uma dura batalha contra dois inimigos - A gerência Eduardo Paes/ PMDB e o sindicato pelego que diz representá-los. No final, a vitória foi dos trabalhadores, que arrancaram 37% de aumento, contra os 9% acertados entre Sindicato e Governo.
Em nossa primeira assembléia do ano, realizada no dia 27 de fevereiro decidimos: Ou Pioneiro atende nossas reivindicações ou é GREVE! A desculpa do ano passado (herança maldita, casa desorganizada, orçamento aprovado pela antiga gestão, etc.) não “cola” mais, pois Pioneiro está em seu segundo ano à frente do município. Nos últimos 5 anos as verbas do FUNDEB para o município de Ananindeua cresceram mais de 100% e nosso reajuste salarial não ultrapassou 23%, enquanto o reajuste do piso nacional foi de aproximadamente 63%, ou seja, ficamos bem atrasados em relação a outras redes de ensino.Vamos mostrar nossa força concentrando-se em frente a SEMED no dia 12 para acompanhar a primeira rodada de negociações e paralisar as atividades no dia 18 com um grande ato em frente a prefeitura!

NOSSA PAUTA:

01- REAJUSTE DE 45%;

02- RETROATIVO DO ENQUADRAMENTO;

03- VALE ALIMENTAÇÃO PARA TODOS OS SERVIDORES NO VALOR DE 500 REAIS;

04- PAGAMENTO IMEDIATO DA GRATIFICAÇÃO DE NIVEL SUPERIOR, INDEPENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL;

05- REALIZAÇÃO DE CONCURSO PÚBLICO PARA TODOS OS NIVEIS E CARGOS;

06- ELEIÇÃO DIRETA PARA DIRETORES DE ESCOLAS;

07- PLANO DE SAÚDE;

08- PCCR UNIFICADO E REFORMULAÇÃO DO MESMO (JORNADA COM 1/3 DE PLANEJAMENTO, COMO DETERMINA A LEI DO PISO);

09- GRATIFICAÇÃO PARA OS TRABALHADORES QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL;

10- REFORMULAÇÃO DO REGIME JURIDICO ÚNICO DOS SERVIDORES DO MUNICIPIO DE ANANINDEUA (REDUÇÃO DE QUINQUÊNIO PARA BIÊNIO);

11- RESSARCIMENTO DOS VALORES PAGOS AO SEGURO (PORTO SEGURO);

12- LICENÇA MATERNIDADE DE 6 MESES.

O MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação é uma organização independente de partidos eleitoreiros e governos, que atua na defesa dos interesses dos Trabalhadores em Educação, mas com uma visão classista, superando o tradicional corporativismo. Desse modo, estamos presentes e apoiando a luta dos estudantes, trabalhadores e camponeses, erguendo bem alto a bandeira da REVOLUÇÃO! Conheça mais sobre o MOCLATE:
e-mail: moclatebrasil@gmail.com
Blog: www.blogdomoclate.blogspot.com

Agenda de lutas / Rede Municipal:

12/03 (quarta-feira): Mesa de negociação – concentração em frente a SEMED, a partir das 10 horas.

18/03 (terça-feira): Paralisação e Ato – concentração em frente a Prefeitura, a partir das 09 horas.

FORTALEÇA A LUTA! COMPAREÇA!

sábado, 1 de março de 2014

RONDÔNIA: SOBRE TABLET'S E MECANISMO DE CONTROLE NA EDUCAÇÃO

Recentemente o Governo de Rondônia, através da SEDUC informou que entregará 2,8 mil tablets a professores do Ensino Médio da rede pública. De longe isso não atende a necessidade dos professores da rede que ultrapassam mais de 12 mil. Na data de hoje, 27 de fevereiro, o Secretário de Educação Emerson Castro (Ex-vice-prefeito da Administração Roberto Sobrinho-PT) e talvez o próprio Confúcio Moura (PMDB) estarão realizando entrega “simbólica” desses equipamentos.

Recentemente a SEDUC lançou um diário eletrônico online que visa vigiar e controlar as “práticas pedagógicas” dos professores. Os mecanismos de controle não param por aí, já que estão sendo instaladas câmeras em todas as escolas, transformando o espaço escolar em verdadeiro campo de concentração. Supervisores terão que não só acompanhar (e apoiar pedagogicamente) a prática docente, mas averiguar e conferir as provas bimestrais de TODAS as áreas.

Além disso, “modelos de planejamento” deverão ser seguidos para que todos se adequem à “pedagogia das competências”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em seu artigo 3º Estabelece como princípios “(...) II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; (...) VII - valorização do profissional da educação escolar;”. A LDB garante, ainda, em seu Art. 15º que “Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público”.

QUESTIONAMOS: quais as condições de infraestrutura das escolas da rede? Os modelos impostos pela SEDUC não ferem os princípios da LDB?  Em que momento o Governo Confúcio Moura (PMDB) está garantindo a VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL da Educação? Onde está o reajuste salarial dos trabalhadores em Educação? Onde estão os pagamentos das licenças prêmio negociados? Onde estão os recursos economizados pelos cofres públicos do Estado com o fim dos serviços de vigilância privada?

O “governo da cooperação” [da enganação] tem arrochado cada vez mais o salário dos professores. O que há é muita propaganda mentirosa a respeito das reais condições da educação pública rondoniense que cada vez mais está sucateada e desvalorizada. O site RONDONIAGORA publicou em 23 de fevereiro, que a SEDUC paga por um aluguel R$650.000,00 por ano, enquanto as obras da escola Brasília não são concluídas. Cada sala custa aos cofres públicos R$ 3.869,47. O proprietário do imóvel é a FATEC, que é administrada pela esposa do Chefe da Casa Civil do Governo do Estado. Dinheiro tem! O que falta é vontade política para garantir um salário justo e condições de trabalho dignas!

É PRECISO LUTAR: NÃO ACEITAR AS IMPOSIÇÕES DA SEDUC! NÃO PARTICIPAR DAS FARSAS E DAS PROPAGANDAS GOVERNAMENTAIS QUE SÓ ESCONDEM OS PROBLEMAS ESTRUTURAIS DA EDUCAÇÃO RONDONIENSE.
BOICOTAR ESTE TIPO DE EVENTO! EXIGIR DO SINTERO UMA POSIÇÃO CONCRETA EM RELAÇÃO A ESSES DESMANDOS! OU ESTÃO NEGOCIANDO PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES?

Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação – MOCLATE Rondônia

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

RJ: Trabalhadores em educação realizam ato unificado

Os trabalhadores em educação das escolas estaduais e municipais do Rio de Janeiro fizeram paralisação unificada na segunda (dia 24/2) e realizaram um ato pela manhã na porta da prefeitura e uma manifestação na Avenida Rio Branco, no centro da capital, da Candelária à Cinelândia, na parte da tarde. Ao final do ato, na Cinelândia, a categoria promoveu uma aula pública na praça para denunciar à população as condições da educação pública no Rio de Janeiro, tanto no âmbito municipal como no estadual.
Os dois atos contaram com a participação de centenas de trabalhadores e teve o apoio de estudantes e pais de alunos. Com faixas, bandeiras e uma bateria agitada os educadores entoaram combativas palavras de ordem contra os sistemáticos ataques dos governos desferidos contra a educação publica.
A gerência Eduardo Paes tentou desqualificar os atos dos educadores lançando uma nota mentirosa. Segundo a Seeduc, 135 servidores, de um total de 91 mil, faltaram ao trabalho. A nota ainda afirmava que a greve é “inoportuna”, já que os sindicatos estão em negociação com a secretaria.
A repressão policial, como de praxe, tentou intimidar o protesto e infiltrou agentes a paisana e também fardados para bisbilhotar e filmar os manifestantes. Alguns PMs utilizaram óculos com microcâmeras acopladas. Apenas novos recursos para auxiliar os cassetetes, bombas, armas de choque de balas de borracha e munição letal farta e inutilmente utilizados para tentar deter o contínuo protesto popular desde as jornadas de junho/julho do ano passado. Não passarão! 

 
Todo apoio a luta dos trabalhadores em educação do Rio de Janeiro!

“Não vai ter copa”!



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Colégio Carlos Drummond de Andrade recebe Moção de Apoio

 

MOÇÃO DE APOIO AO DIRETOR, PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS, PAIS E ALUNOS DO COLÉGIO ESTADUAL CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE DE FOZ DO IGUAÇU-PR.

O MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação, no Paraná, ao tomar conhecimento da situação do Colégio Estadual Carlos Drummond de Andrade da cidade de Foz do Iguaçu-PR, vem manifestar total e irrestrito apoio à direção da escola em mobilizar a comunidade em defesa de um ambiente físico que possibilite o desenvolvimento da boa educação que os filhos dos trabalhadores merecem e tem o direito.
A situação de sucateamento do Colégio Carlos Drumond não é um fato isolado. Muitos colégios e escolas da rede estadual e das redes municipais passam pela mesma situação de abandono por parte do gerenciamento do Estado.
A precarização das condições do ensino público é uma constatação histórica em nosso país. Independentemente da sigla de plantão no gerenciamento do Estado a desculpa é a mesma: Dilma/PT etc. retira dinheiro da educação para a copa e outros eventos narcotizantes; Beto Richa/ Flávio Arns/PSDB e caterva retiram dinheiro das escolas para fomentar propagandas eleitoreiras. Enquanto os gerentes (Dilma, Richa et caterva) gastam rios de dinheiro público com propagandas e seus aliados eleitoreiros para seguirem servindo ao latifúndio, à grande burguesia e ao imperialismo, as escolas e hospitais estão completamente abandonados. As ruínas  das condições de trabalho no Colégio Carlos Drumond prejudicam o ensino e a aprendizagem dos filhos dos trabalhadores que lá estudam.
No ano de 2013 a defesa civil interditou o Colégio Carlos Drumond por falta de segurança dos estudantes e professores. Nesta ocasião os representantes do Estado se comprometeram a resolver o prolema. No entanto a situação não foi resolvida em que pese o esforço, a honestidade e a transparência do professor  Umberto que levou ao conhecimento do Núcleo da Secretaria de Estado da Educação e solicitou solução para o problema.
A omissão do Núcleo e da SEED é a principal responsável pelo sucateamento da escola. O MOCLATE apoia os trabalhadores da educação, os pais e os alunos do colégio em suas justas reivindicações e exige que o gerente da SEED, senhor Flávio Arns, deixe de conversa mole e blábláblá irresponsável como os proferidos por ele em ataques contra o professor Umberto. A histeria do senhor Flávio é o retrato da sua incompetência. Hoje é o colégio Drumond e no futuro bem próximo serão todas as escolas que se levantarão contra os inimigos do povo no gerenciamento do velho estado burguês-latifundiário a serviço do imperialismo.
O MOCLATE desafia o indivíduo Flávio Arns, que nunca deu aula numa escola pública, a tomar água depositada nas caixas de amiantum (cancerígeno) nas escolas que ele diz que está em boas condições; que este mesmo indivíduo vá comer a merenda escolar que é servida para os alunos ou que assuma uma sala de aula com 40 alunos com temperatura acima de 40 graus, recebendo o mísero piso salarial que os professores recebem.FIFA e Cia).
Repudiamos as declarações do secretário de Estado da Educação do Paraná, senhor Flávio Arns, que afirmou a um jornal televisivo no Paraná, na data de 10/02/2014, que o diretor da escola é que é incompetente. O indivíduo Flávio Arns e sua equipe é que são incompetentes. Não adianta senhores se esconderem atacando pessoas honestas e trabalhadores que de fato lutam para garantir a educação pública de qualidade em cada escola. Em defesa da dignidade e da honra dos trabalhadores em educação e dos alunos da escola pública dissemos não aos gerentes  do velho Estado.

EDUCAÇÃO SIM, COPA NÃO!

POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO DENTRO DAS ESCOLAS!

ABAIXO AS BRAVATAS DE FLÁVIO, RICHA ET CATERVA!

A NOSSA SOLIDARIEDADE E O NOSSO APOIO AO PROFESSOR UMBERTO E TODOS OS TRABALHADORES E ESTUDANTES DO COLÉGIO CARLOS DRUMOND CONTRA OS ATAQUES E A CONVERSA MOLE DO INDIVÍDUO FLÁVIO ARNS.


MOCLATE – MOVIMENTO CLASSISTA DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014


Pesquisa


Jovens estudantes brasileiros não querem ser professores

Levantamento mostra que 59,77% acham profissão desvalorizada e com más condições


Raquel Sodré





Ser professor do ensino básico não é uma alternativa para a maior parte dos estudantes brasileiros. É o que mostra pesquisa recente realizada pelo núcleo de estagiários e aprendizes Nube. A enquete online perguntou aos estudantes “você tem vontade de ser professor do ensino fundamental e médio?” e contou com a participação de 6.910 jovens. Desses, 40,08% responderam “não, é uma profissão cada vez mais desvalorizada”, e 19,69% marcaram a opção “Já tive vontade, mas desisti pelas más condições”.
“O que a pesquisa frisa é a imagem que o jovem tem do sistema de ensino no Brasil, que ele vê com descrédito. Esse jovem vê os colegas desacatando os professores e escolhe não ser professor”, analisa o psicólogo Henrique Ohl, que atua como analista de treinamento no Nube. As salas de aula refletem bem o resultado da pesquisa. Em uma das turmas de 1º ano do ensino médio do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em Ouro Preto, somente três dos 25 alunos presentes no dia da visita da reportagem de O TEMPO afirmaram ter vontade de ser professor. “Eu não seria porque minha mãe é professora e eu vejo o esforço que ela faz. Todos os dias, ela prepara as aulas e, muitas vezes, chega em casa chateada porque não consegue dar as aulas do jeito que ela havia planejado. Todo mundo desrespeita, é uma vergonha. E ela não recebe bem”, conta a estudante Clara Tossige, 16.
“Eu não tenho paciência para ser professora de adolescentes. Por ser desvalorizada também não seria professora. Acho que os professores deveriam receber mais pelo estresse que passam”, dispara a também estudante Iasmin de Paula, 17.

Desencontro. Outro fator que contribui para esse desinteresse é a distância que a escola tomou da realidade de crianças e adolescentes. “Há uma tendência (por parte dos estudantes) à negação da escola, pois ela tende a não reconhecer as especificidades do jovem”, comenta o integrante do Observatório da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Juarez Dayrell. Ele afirma que as escolas ignorarem o novo estilo de vida promovido pelos avanços tecnológicos também não contribui para uma melhor visão da instituição. “Hoje, o menino entra no Google e fica sabendo de qualquer assunto. A escola continua insistindo na transmissão – e não na produção – de conhecimento e se tornou muito chata”, condena.
A solução para esse conflito é apresentada pelos próprios estudantes. “Alguns professores conseguem fazer com que seus alunos tenham vontade de aprender. Diversificar o modo de ensino e sair um pouco do padrão algumas vezes já torna a aula interessante”, revela a estudante Letícia Anjos, 16. E essa quebra de protocolo pode ser feita mesmo sem o uso de tecnologias. “Muitas vezes, o professor insere as tecnologias na aula, mas de forma totalmente despreparada”, opina Lucas de Castro, 15.

Apagão. Com tamanho desinteresse por uma carreira de licenciatura, já é possível prever um “apagão” de professores. “Já demos um primeiro passo nessa direção. Segundo o Ministério de Educação e Cultura, temos um déficit de 180 mil profissionais para vagas de matemática, física e química”, afirma Ohl. Mas isso não significa que o Brasil ficará sem professores. “Essas vagas serão ocupadas por outros profissionais. Engenheiros para as aulas de física, por exemplo”.
Se, por um lado, os jovens não mostram vontade de ser professor, por outro, sabem que suas opiniões ainda têm muito a mudar. “Vocação não é alguma coisa que você tem, é algo que você vai adquirindo com a idade”, reflete o estudante Daniel Alves, 16, com a sabedoria de um professor.
19,5% dos estudantes fazem cursos de licenciatura, que lhes habilitam a dar aulas para o ensino básico.




Fonte: http://www.otempo.com.br/capa/brasil/jovens-estudantes-brasileiros-n%C3%A3o-querem-ser-professores-1.786203